
Belo momento para se comentar algumas comédias ensandecidas que assisti, excluindo, claro, O Beijo Amargo que vi no domingo e que me causou uma impressão tão forte que não via hora de comentar e inclui nesse post que pretendia reservar as comédia. Enfim...
- O Beijo Amargo (The Naked Kiss, 1964) É estranho o rótulo de film noir que acompanha este filme. De noir mesmo só tem a bela fotografia em preto e branco e uma loira, mas esta loira não tem nada de fatal. Kelly (Constance Towers) é uma prostituta que logo na genial abertura que antecede os créditos bate furiosamente em seu cafetão com uma garrafa (uma surpresa é reservada nessa cena que mostra bem o estilo decadente que o filme vai orquestrar). Dois anos depois ela vai parar em Grantville, uma daquelas típicas cidades interioranas americanas, cheia de gente falsamente bondosa e moralista. Ao passar uma noite com um policial ela abruptamente decide largar a vida de prostituta e começa a trabalhar num hospital que trata de crianças deficientes. Ela parece tirar a sorte grande quando o jovem milionário da cidade se apaixona por ela e a pede em casamento, mesmo sabendo do seu passado. É quando o filme de Samuel Fuller mostra a que veio. Um pertado contra o preconceito, moralismo, corrupção policial, pedofilia, etc. Se analisarmos bem a época que foi realizado (o código de Hayes de censura ainda estava bem vigente no cinema americano) podemos considerar O Beijo Amargo um filme audacioso e de muita coragem de seu realizador. Apesar de alguns furos no roteiro, nada chega a estragar a sessão. Pena que Fuller ainda é um ilustre diretor desconhecido no Brasil e que devido o conteúdo polêmico de suas obras teve muita dificuldade de filmar nos EUA. ☺☺☺☺
- Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot, 1959) Uma das melhores comédias de todos os tempos (alguns garantem "a melhor"), misturando humor e gangsterismo de maneira até então inédita. Joe (Tony Custis) e Jerry (Jack Lemmon) são dois músicos de jazz que, por azar, presenciam o famoso massacre do Dia dos Namorados, em que uma quadrilha chacina mafiosos rivais numa garagem de Chicago, em 1929. Para escapar dos gangsters, eles se disfarçam de mulher e ingressam numa orquestra feminina, viajando de trem até Miami. No papel de vocalista do grupo musical com quem a dupla se envolve, Marilyn Monroe oferece uma atuação exuberante. A ação é frenética, os diálogos perfeitos e o humor, irresistível. A fotografia recria a atmosfera dos velhos filmes de gangsters. O diretor Billy Wilder realizaria no ano seguinte mais uma obra- prima, o premiado Se Meu Apartamento Falasse, mas depois não fez mais nada digno de seu passado estupendo, que incluem Crepúsculo dos Deuses (1950) e A Montanha dos Sete Abutres (1951). Ainda assim é um dos melhores diretores do cinema. Atenção para última fala, antológica. ☺☺☺☺☺
- A Vida de Brian (Life of Brian, 1979) Esse filme já havia visto alguns anos atrás em uma cópia VHS horrível. Assistir esta preciosidade do Monty Pynthon em DVD recheado de extras (incluindo cenas deletadas) é um deleite para os fãs. Guiados por uma estrela cadente, três Reis magos chegam a um casebre onde acaba de nascer um menino. Após presenteá-lo como se fosse o Senhor, eles se dão conta de que o rebento não passa de um simples mortal chamado Brian. A hilariante sequência inicial mais do que prepara o espectador para o que virá a seguir: uma avalanche de humor que transita entre o inteligente sarcástico a mais pura grosseria. Aos 33 anos, vivendo em Jerusalém, Brian enfrentará um calvário de confusões tentando convencer multidões de que não é o Messias. È a oportunidade para o grupo Monty Pynthon destilar sua sátira à religião judaica e cristã, recorrendo às soluções mais inesperadas e absurdas. ☺☺☺☺☺
- Um Assaltante Bem Trapalhão (Take The Money and Run, 1969) Que mania é essa de colocar alguns termos deslocados nas traduções dos títulos de algumas produções, especialmente nas comédias. È um tal de "do barulho", "muito louco" e este "trapalhão". Dá uma impressão equivocada no espectador, pensando ver um filme de besteirol qualquer. Não sou fã de Woody Allen, apesar de achar legal os filmes que assisti dele. Falta eu ver filmes fundamentais do diretor como Hannah e suas Irmãs (1986), Manhatan (1979) e seus filmes "Bergmanianos" os quais eu sempre nutri um grande preconceito (talvez por gostar muito de Bergman). Take The Money... é o seu primeiro trabalho na direção. Considerado por alguns intusiastas como seu filme mais engraçado, é, contudo um trabalho desigual. Gagman desde os tempos do colégio, como diretor acaba não indo além de costurar as divertidíssimas piadas e situações de seu roteiro episódico. Utilizando-se de depoimentos fictícios (algo que seria aprimorado as alturas em Zelig de 1983) e algumas cenas de produções mais antigas, o filme desenvolve a biografia de Virgil Starkwell (Allen), o assaltante trapalhão. A cena do revolver de sabão e do assalto ao banco com um bilhete no entanto são duas das melhores gags da galeria de Woody Allen. ☺☺☺

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