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sábado, 14 de junho de 2008

Voltei!!


Assisti vários filmes durante esse período que estive ausente, porém ainda não estou com espírito para comentar todos. Entre surpresas boas e negativas a experiência cinéfila em casa foi interessante, tomei contato finalmente com filmes que sempre quis assistir.
  • O Pagador de Promessas (1962) Baseado na peça de Dias Gomes e dirigido por Anselmo Duarte. Zé do Burro chega à igreja de Santa Bárbara, em Salvador, para cumprir uma promessa a santa (ou, na verdade, a Iansã, a divindade africana correspondente). Depois de distribuir suas terras aos pobres, ele quer apenas adentrar a igreja com a sua cruz, e é impedido pelo padre. O vencedor da Palma de Ouro de Cannes 62 trata de forma emocionante questões como o misticismo, a quebra das convenções e a vitória do oprimido contra o opressor. ☺☺☺☺
  • O Céu Mandou Alguém (3 Godfathers, 1948) Releitura da história dos três Reis Magos tendo o velho oeste como cenário e John Wayne como protagonista. Na direção ninguém menos que John Ford. Apesar de tudo isso o filme em nenhum momento decola e nem cativa ao contrario de muitos western modestos por aí.O filme prometia (algumas sequências são realmente boas) mas não cumpriu nem metade das minhas expectativas! ☺☺

  • Jejum de Amor (His Girl Friday, 1940) Uma repórter anuncia que está deixando o trabalho para levar uma vida doméstica, ao lado do noivo. Seu editor e ex-marido (tinha que ser Cary Grant) tenta convencê-la a mudar de idéia. O filme retrata extraordinariamente bem os bastidores da notícia (afinal é baseada na peça "A Primeira Página" já filmado inúmeras vezes, mas cuja melhor versão continua sendo essa que, ironicamente foi a que mais alterou o texto original). O filme é uma conjunção favorável de fatores: a direção magnífica de Haword Hawks, os diálogos rápidos e excelentes e a dupla central de atores. Uma obra- prima charmosa como só Hollywood daquela época e Hawks sabiam fazer. ☺☺☺☺
  • Querelle (Idem, 1982) Drama homossexual, baseado no romance de Jean Genet, Querelle de Brest. Querelle é um truculento marinheiro, atiçador de desejos, que envereda pela marginalidade em busca de prazer. É com violência que experimenta, pela primeira vez, sentir e oferecer amor. Último filme de Fassbinder (realizado logo apos a obra-prima O Desespero de Verônica Voss), demonstra claramente o quanto o diretor sentia a iminência da morte, embora o filme não trate diretamente do assunto, a morbidez impregna o filme intero. Barra pesadíssima, filmada em tons de eterno entardecer. ☺☺

  • Antoine e Colette (Antoine et Colette, 1962) Média metragem que faz parte do filme episódico "Amor aos Vinte Anos" dirigido por cinco cineastas diferentes. Essa aqui é dirigido por François Truffaut que dá continuidade ao personagem Antoine Doinel que apareceu pela primeira vez em "Os Incompreendidos". Agora Antoine esta com 17 anos e vive sozinho em Paris, nesse filme ele conhece o primeiro amor e a primeira decepção ao se apaixonar por Colette. A vontade que se tem assistindo aos filmes sobre a vida de Antoine e que eles nunca acabem, esse a frustração é ainda pior pelo fato de só durar 30 minutos!! ☺☺☺☺

sábado, 7 de junho de 2008

Semana Boa !!


Essa semana assisti filmes tão díspares entre si e muito bons. Entre drama, western, terror e romance fica a certeza que a semana que passei em casa não foi de um todo assim tão ruim. Muita gente pode pensar que eu sou louca em achar que isso é significativo, mas acreditem para um cinéfilo isso é importante!
  • Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven, 1960) Akira Kurossawa dizia que o western sempre foi para ele uma fonte de inspiração. Este clássico do gênero, dirigido por John Sturges faz o caminho inverso, baseando-se em Os Sete Samurais, filme do diretor japonês. Na história um pistoleiro é contratado para proteger um vilarejo dos saques de um grupo de bandidos. Para ajudar na atarefa, recruta os cinco melhores pistoleiros das redondezas. O último reforço vem de um teimoso rapaz, que insiste em se juntar ao grupo. Numa cena tensa, os pistoleiros conversam sobre suas vidas errantes, compondo uma interessante lista de carências. ☺☺☺

  • Como Era Verde o Meu Vale (How Green Was My Valley, 1941) Drama clássico do diretor especialista em western John Ford. Uma história feita de lembranças de uma época dourada que aos poucos foi sendo destruída, talvez com a modernidade, talvez porque nada de bom é eterno ou talvez mesmo porque nosso herói vai crescendo e tomando conhecimento do que acontece ao seu redor. Conhece o amor, o sofrimento, o pecado, a vingança, o ódio, etc. Tão marcante, verdadeiro e "atual" quanto As Vinhas da Ira, outro excelente drama de Ford. ☺☺☺

  • Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, 2004) Finalmente resolvi alugar esse terror, fazia tempos em que ensaiava assisti-lo. O filme é refilmagem de O Despertar dos Mortos (1978) do mestre George Romero que já tinha visto há alguns anos e não tinha gostado muito. O fato é que Madrugada dos Mortos me surpreendeu. É um terror bem feito, com muito sangue, tiros e gritos. Algumas sacadas são ótimas, porém faltou um clima mais tenso, elemento fundamental de um filme de zumbi. No mesmo ano a comédia de humor negro Todo Mundo Quase Morto conseguiu supera-lo com uma trama ainda mais inteligente e tensa. Ainda assim é bom filme de Zumbi que mostra que esse sub-genêro ainda tem muito que ser explorado. Dirigido por Zack Snyder do pavoroso filme 300 (2007). ☺☺☺

  • Jules e Jim- Uma Mulher Para Dois (Jules e Jim, 1962) Hoje tive a oportunidade de rever essa obra- prima surpreendente sobre um tema batido: o triângulo amoroso. François Truffaut nos relata a história de uma mulher que mantém um relacionamento amoroso com dois homens ao mesmo tempo durante vinte anos. Ou seja o filme não é sobre Jim, não é sobre Jules é sobre Catherine(papel da intragável Jeanne Moreau) que é livre para escolher . Um hino à liberdade amorosa e sexual feminina, muito bem conectado com a contra-cultura da época (a história passa-se no início do século 20, mas o espírito é todo anos 1960). ☺☺☺☺☺

domingo, 1 de junho de 2008

Os Filmes da Minha Vida!!

Olha lá eu plagiando Truffaut!! Em seu famoso livro "Os Filmes da minha vida" o diretor tecia críticas apaixonadas e objetivas sobre uma dezena de filmes que lhe marcaram. Eu não tenho esse cacife. Vou listar a principio meus filmes prediletos:

Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971) Numa época indefinida, um grupo de delinquentes pratica atos de violência por puro prazer. O líder do bando Alex (Malcom MacDowell, em atuação excepcional), é preso e passa por uma lavagem cerebral que tenta eliminar seus instintos violentos. A violência do indivíduo é fichinha perto da violênciadvd_16052 do estado. A idéia, já contida no profético livro de Anthony Burgess que inspirou o filme, é enfatizada com todas as cores e sons por Stanley Kubrick. Uma cenografia entre o clean e o kitsch é devassada por uma câmera em perpetuo e vertiginoso movimento, captando os menores detalhes a partir dos ângulos mais surpreendentes. A música predominante é Beethoven em arranjos deliberadamente modernosos. As sequências mais brutais são coreografadas com um cinismo e humor negro quase insuportáveis. O filme durante muito tempo esteve proibido e diversos países (inclusive,claro no Brasil), e foi banido da Grã-Bretanha , a pedido do próprio Kubrick depois de desencadear uma onda de imitação entre a juventude local.

Os Incoincompreendidosmpreendidos (Les 400 Coups, 1959) Filme fundamental da Nouvelle Vague- o movimento criado por críticos de cinema franceses- e um dos mais importantes da história do cinema. Estréia na direção de François Truffaut que apresenta pela primeira vez seu alter- ego Antoine Doinel (Jean Pierre Léaud) aos 13 anos. Rebelde, o moleque vive em conflito com os pais e os professores. Consegue se libertar da tirania de ambos por meio dos livros, das amizades, dos filmes a até mesmo da delinquência. A infância era um dos temas preferidos do autor.

O Sétimo Selo (Sjunde inseglet, 1957) É o filme mais acessível, apesar de metafórico do cineasta sueco Ingmar Bergman. Feito nos anos 1950, década na qual os questionamentos metafísicos do cineasta se expandiram pelo ocidente, é obra de um simbolismo, se não óbvio, ao204538 menos cristalino. Trata-se da busca de um cavaleiro medieval (Max Von Sydow) por uma lógica divina enquanto uma epidemia mortal mata a rodo na Europa. O personagem desafia a morte em jogo de xadrez, pergunta a ela sobre a razão da vida, mas não encontra respostas. Há humor nisso, mas é venenoso. Bergman mostra a transição da idade das trevas para as das luzes ao matar Deus e exibir o homem como sujeito do destino. A direção incorpora influências da pintura e do teatro, no visual e nas atuações, mas as utiliza em benefício do cinema. Primoroso!!

A Felicidade Não se Compra (It's a Wonderful Life, 1946) O mais felicidade-nao-se-compra-poster02 famoso filme de Frank Capra em que ele sintetiza magistralmente o humanismo exacerbado de toda a sua obra, marcada por homens comuns que se transformam em heróis na luta contra os monstros da corrupção, da ganância e da avareza. James Stewart esta insuperável na pele de George Bailey, o homem de coração de ouro e honestidade a toda à prova que se encontra à beira do suicídio em plena véspera de Natal. Uma rápida reunião celeste designa então uma anjo da guarda para resgatar o suicida.

Tempos Modernos (Modern Times, 1936) Nenhum diretor resistiu mais ao cinema sonoro do que Charles Chaplin: ele sabia que esse avanço tecnológico era a morte de seu Carlitos. Por isso mesmo, fez Tempos Modernos sem diálogos, apoiado essencialmente na música. 666EA_1 Não por acaso, é também um filme contra o avanço tecnológico, em que Carlitos é um operário às voltas com a crueldade do maquinário e as exigências da indústria. Esse motivo o ajudou a fazer, aqui, algumas de suas gags mais inesquecíveis, que triunfam com facilidade sobre seu lado meio sentimentalóide. Mas o que se desenha neste filme, que o faz genial, não é o humanismo fácil. É, sim, a crítica aguda da modernidade, a percepção de que este mundo do progresso, aparentemente triunfante, vive no abismo do desequilíbrio, à beira de um desarranjo brutal, prestes a desintegrar-se, vítima não de uma ameaça externa, mas de si mesmo. Sob esse aspecto, não é exagero dizer que esta é o mais atual dos Carlitos. Aqui, sua mímica transforma o impossível em possível, o inacreditável em matéria.