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segunda-feira, 2 de março de 2009

Onde Começa o Inferno (Rio Bravo, 1959)


Se cada grande filme tem uma imagem que o resume, a de Rio Bravo é a de um homem armado de rifle caminhando tenso por uma rua deserta, espreitado por olhos ocultos na sombra e assediado pelos ruídos da noite. Este homem pode ser o xerife Chance (John Wayne, claro!) ou seu auxiliar, o alcoólatra Dude (Dean Martin), ambos empenhados em impedir que um bando de criminosos venha resgatar seu amigo assassino trancafiado na prisão local. Só não atinge a claustrofobia graças a habilidade do diretor em costurar pequenas tramas paralelas que inundam de humor e humanidade seus personagens. O resultado é um dos melhores westerns já realizados e um dos melhores filmes de Haword Hawks (e isso não é pouco). O filme é a resposta do diretor a outra obra-prima realizada em 1952, Matar ou Morrer. Hawks interpretava a covardia e o medo do xerife interpretado por Gary Cooper como algo anti-americano. Se no filme de Fred Zinnemann o xerife luta contra o tempo para a arregimentar parceiros para ajudá-lo no confronto com um bandido, aqui Wayne recusa-se a aceitar ajuda. Apesar do estilo quase patriótico furado o filme possui um apelo tão forte e envelheceu tão bem, que continua sendo uma fonte de inspiração eterna para todos os cineastas que um dia ou outro já pensaram em fazer um westerm. Tão bom que o próprio Hawks, não resistiu e refilmou-o em 1967, como El Dorado.

☺☺☺☺

sábado, 14 de junho de 2008

Voltei!!


Assisti vários filmes durante esse período que estive ausente, porém ainda não estou com espírito para comentar todos. Entre surpresas boas e negativas a experiência cinéfila em casa foi interessante, tomei contato finalmente com filmes que sempre quis assistir.
  • O Pagador de Promessas (1962) Baseado na peça de Dias Gomes e dirigido por Anselmo Duarte. Zé do Burro chega à igreja de Santa Bárbara, em Salvador, para cumprir uma promessa a santa (ou, na verdade, a Iansã, a divindade africana correspondente). Depois de distribuir suas terras aos pobres, ele quer apenas adentrar a igreja com a sua cruz, e é impedido pelo padre. O vencedor da Palma de Ouro de Cannes 62 trata de forma emocionante questões como o misticismo, a quebra das convenções e a vitória do oprimido contra o opressor. ☺☺☺☺
  • O Céu Mandou Alguém (3 Godfathers, 1948) Releitura da história dos três Reis Magos tendo o velho oeste como cenário e John Wayne como protagonista. Na direção ninguém menos que John Ford. Apesar de tudo isso o filme em nenhum momento decola e nem cativa ao contrario de muitos western modestos por aí.O filme prometia (algumas sequências são realmente boas) mas não cumpriu nem metade das minhas expectativas! ☺☺

  • Jejum de Amor (His Girl Friday, 1940) Uma repórter anuncia que está deixando o trabalho para levar uma vida doméstica, ao lado do noivo. Seu editor e ex-marido (tinha que ser Cary Grant) tenta convencê-la a mudar de idéia. O filme retrata extraordinariamente bem os bastidores da notícia (afinal é baseada na peça "A Primeira Página" já filmado inúmeras vezes, mas cuja melhor versão continua sendo essa que, ironicamente foi a que mais alterou o texto original). O filme é uma conjunção favorável de fatores: a direção magnífica de Haword Hawks, os diálogos rápidos e excelentes e a dupla central de atores. Uma obra- prima charmosa como só Hollywood daquela época e Hawks sabiam fazer. ☺☺☺☺
  • Querelle (Idem, 1982) Drama homossexual, baseado no romance de Jean Genet, Querelle de Brest. Querelle é um truculento marinheiro, atiçador de desejos, que envereda pela marginalidade em busca de prazer. É com violência que experimenta, pela primeira vez, sentir e oferecer amor. Último filme de Fassbinder (realizado logo apos a obra-prima O Desespero de Verônica Voss), demonstra claramente o quanto o diretor sentia a iminência da morte, embora o filme não trate diretamente do assunto, a morbidez impregna o filme intero. Barra pesadíssima, filmada em tons de eterno entardecer. ☺☺

  • Antoine e Colette (Antoine et Colette, 1962) Média metragem que faz parte do filme episódico "Amor aos Vinte Anos" dirigido por cinco cineastas diferentes. Essa aqui é dirigido por François Truffaut que dá continuidade ao personagem Antoine Doinel que apareceu pela primeira vez em "Os Incompreendidos". Agora Antoine esta com 17 anos e vive sozinho em Paris, nesse filme ele conhece o primeiro amor e a primeira decepção ao se apaixonar por Colette. A vontade que se tem assistindo aos filmes sobre a vida de Antoine e que eles nunca acabem, esse a frustração é ainda pior pelo fato de só durar 30 minutos!! ☺☺☺☺